–
Adolescentes
Agressivos –
Como lidar com eles?
Como lidar com eles?
O filho estava jogando com os amigos na sala e a
mãe se aproximou interessada pelo jogo e perguntou se poderia experimentar.
Tentou uma vez - falhou, uma Segunda, também falhou. Na terceira falha o filho
a empurrou e gritou:
– Sua burra, você não sabe de nada!
A mãe saiu chorando e foi para o quarto se
questionar: o que eu fiz, porque ele é sempre tão agressivo comigo?
Essa é a pergunta que muitas mães e pais se fazem
ao se verem impotentes diante de adolescentes que usam da agressividade para
controlá-los e queremos refletir um pouco sobre esta situação.
Um dos primeiros e grandes erros dos pais é ler e
acreditar em preceitos da "psicologia popular". São inúmeros artigos
de revistas e uma série de profissionais sem suficiente conhecimento científico
orientando pais a darem liberdade total aos filhos enquanto são crianças,
afirmando que com isso a criança será mais criativa e menos reprimida.
Falsa ilusão. Toda criança, desde a mais tenra
idade, precisa conhecer os seus limites. Limites dentro dos quais ela pode
crescer e se desenvolver em todo o seu potencial e em segurança, sentido-se
amada e cuidada pelos pais - que tem exatamente esta função. Pais extremamente
permissivos, que temem dizer não a seus filhos sofrerão conseqüências
desastrosas quando estes filhos tornarem-se adolescentes.
O ser humano é insaciável em seus desejos e a
medida do contentamento é sempre: UM POUCO MAIS! Quando a criança que nunca
teve limites expressos claramente pelos pais chega à adolescência, seus desejos
se multiplicam e muitas vezes ela passa a intimidar os pais com a violência
para que eles satisfaçam àquilo que ela deseja. Diz um ditado popular que um
desejo satisfeito gera 7 filhos e por isso a falta de limites sempre ocasionará
problemas.
Portanto pais, cuidado com estas leituras
populistas que distorcem princípios da psicologia. Colocar limites não
significa espancar os filhos ou dizer sempre não a qualquer solicitação deles.
Significa outrossim ensiná-los a trabalhar com os elementos da realidade e das
possibilidades. Às vezes castigá-los por violarem princípios e valores e
gerarem situações que levem à patologizações da personalidade. O convívio
humano pressupõe regras e regras vem acompanhadas de limites. Pais sábios
ensinam os filhos estes limites para que eles se tornem adultos bem integrados
ao meio social.
Um outro extremo são os pais que tornam-se
violentos com os filhos. Em geral são pais que tem conflitos entre si ou mesmo
que tiveram uma educação conflitiva e não procuram trabalhar sua personalidade
a fim de que possam melhorar o relacionamento com os filhos.
São aqueles pais que dizem: "Meus pais fizeram
assim comigo e, se foi bom pra mim vai ser bom pro meu filho"! Não
pensando que o mundo evolui numa velocidade espantosa e que as pautas
educacionais que eram adequadas em uma época, já não o são para a geração
seguinte. Com certeza os nossos avós nunca tiveram conflitos com os filhos
sobre o uso do computador ou da Internet, simplesmente porque não havia isto
naquela época, mas hoje os pais necessitam aprender a lidar com este tema.
Finalmente existem ainda as situações nas quais a
agressividade dos filhos é despertada pelos próprios pais. São pais que usam os
filhos numa disputa interminável com o cônjuge e acabam neurotizando o
adolescente que reage com agressão.
Estes pais tem uma relação conflitiva entre si e
procuram uma aproximação com o(a) filho(a) como uma forma de ter força para
combater com o cônjuge. Desta forma quando um dos pais permite o filho algo o
outro proíbe e vice-versa, deixando o adolescente confuso e reagindo, muita
vezes com agressividade contra os próprios pais ou mesmo contra si mesmos.
A agressividade do adolescente contra si mesmo pode
adquirir formas sutis de expressão como o uso de roupas, "pierces",
cortes de cabelo, tatuagens, etc. Deve-se estar atento a estas expressões
porque ela podem ocultar sentimentos negativos profundos que podem levar a
sérios desajustes de personalidade no futuro.
A melhor orientação que podemos dar aos pais é que
quando percebem a agressividade por parte dos filhos, devem ter uma atitude a
aproximação e não de afastamento. Lembrar que a agressividade é um sintoma e
não o problema em si. Este, em geral, está em raízes mais profundas.
Procure ser amigo de seu filho, em primeiro lugar
interessando-se pelo mundo dele. Conheça seus amigos, seus gostos musicais, o
nome dos conjuntos de rock prediletos. Saiba quais atividades o agradam e quais
o desagradam e porque.
Proponha então terem atividades em conjunto. Coisas
que vocês poderiam fazer juntos e que agradassem a ambos. No ano passado eu fiz
uma economia especial somente para levar meu filho adolescente à corrida de
Fórmula 1, pois ele gosta muito deste tipo de esporte. Passamos três dias
juntos em São Paulo, além de assistirmos os treinos e a corrida propriamente dita.
Foi um tempo inesquecível onde pudemos conversar muito, comer sanduíches e
tomar chuva juntos, rir e contar piadas, bem como falar sobre coisas sérias.
Lembro-me que no final da aventura, voltando de ônibus para o centro de São
Paulo, ele, exausto, encostou a cabeça em meu ombro e adormeceu. Lembrei dos
tempos que ele era bebê e que dormia em meu colo e pensei comigo: ele ainda tem
a confiança de descansar em meus braços - a mesma confiança que temos que ter
com nosso Pai celestial.
Assim como Deus tem profundo interesse em nossa
vida, devemos ter a mesma atitude com nossos filhos, pois o amor vence qualquer
agressividade!
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