terça-feira, 25 de setembro de 2012

Em busca do corpo perfeito


Manorexia, vigorexia e transtorno da compulsão alimentar periódica são síndromes alimentares masculinas cujos conceitos parecem novos, mas já estão bem definidos pelos médicos.
O excesso de zelo com o corpo ou a obsessão por magreza, que muitos poderiam julgar como peculiaridades do público feminino, são cada vez mais comuns em homens de todas as idades. Em vários casos, acabam levando ao desenvolvimento de distúrbios alimentares com características bem específicas, caso da manorexia, vigorexia e transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP).
Os problemas aparecem cada vez com mais frequência nos consultórios médicos, como garante a nutróloga Maria Del Rosário Zariategui, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e integrante do International Colleges for Advancement of Nutrition, nos Estados Unidos. Segundo ela, embora sejam conceitos novos na medicina, estão muito bem definidos pela comunidade médica. E não faltam sintomas para que as síndromes sejam enquadradas nos transtornos psiquiátricos.

Fazer o diagnóstico, contudo, pode ser bastante complicado justamente porque não é comum enxergar os homens praticando condutas alimentares patológicas. “Até quem padece do mal custa a enxergar que está vivendo um problema”, avalia a médica.
Para a psiquiatra Ana Ermínia Pedrosa, a obsessão masculina com a estética corporal, com a balança e a conquista de um corpo perfeito, magro ou cheio de músculos, é um componente importante no desenvolvimento dos transtornos alimentares nos homens. Contudo, não é o único fator. Tanto nos homens quanto nas mulheres, questões biológicas, genéticas, ambientais, socioculturais e psicológicas estão associadas, tornando as doenças bastante complexas.

No aspecto biológico, a puberdade e a obesidade podem influenciar. Já nos quesitos socioculturais e psicológicos, a pressão da mídia, dos pais e amigos, e de algumas profissões, assim como perfeccionismo ou o uso de álcool e drogas, favorece o desenvolvimento do distúrbio alimentar.
A manorexia, a versão masculina da anorexia, segundo Rosário, pode se apresentar na forma de restrição alimentar pura, uma preocupação exagerada com a composição calórica e com a preparação dos alimentos ou na forma purgativa. “Nas duas formas, aparecem também o medo de ganhar peso e uma perturbação na imagem corporal”, diz. A especialista lembra que existem poucos estudos no mundo que avaliam a relação entre os homens e este distúrbio, mas estima-se atualmente que o público masculino represente de 15% a 20% do total de casos de anorexia nervosa e bulimia nervosa, ou seja, em cada cinco pessoas com essas patologias, uma é homem.

A compulsão alimentar seguida de compensação por vômitos, características da bulimia em mulheres, ocorre também nos homens. O abuso de substâncias medicamentosas para emagrecer e a prática de atividade física exagerada são outros sintomas desse transtorno no sexo masculino. Diferentemente das mulheres, as complicações nos homens estão mais relacionadas à desidratação, hipotensão arterial, maior perda óssea e uma significativa queda na produção de testosterona.
TAMANHO DA LETRA
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Alerta »Homens e mulheres sofrem em busca do corpo perfeitoManorexia, vigorexia e transtorno da compulsão alimentar periódica são síndromes alimentares masculinas cujos conceitos parecem novos, mas já estão bem definidos pelos médicos


Publicação: 09/09/2012 08:24 Atualização:
O excesso de zelo com o corpo ou a obsessão por magreza, que muitos poderiam julgar como peculiaridades do público feminino, são cada vez mais comuns em homens de todas as idades. Em vários casos, acabam levando ao desenvolvimento de distúrbios alimentares com características bem específicas, caso da manorexia, vigorexia e transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP).

Os problemas aparecem cada vez com mais frequência nos consultórios médicos, como garante a nutróloga Maria Del Rosário Zariategui, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e integrante do International Colleges for Advancement of Nutrition, nos Estados Unidos. Segundo ela, embora sejam conceitos novos na medicina, estão muito bem definidos pela comunidade médica. E não faltam sintomas para que as síndromes sejam enquadradas nos transtornos psiquiátricos.

Fazer o diagnóstico, contudo, pode ser bastante complicado justamente porque não é comum enxergar os homens praticando condutas alimentares patológicas. “Até quem padece do mal custa a enxergar que está vivendo um problema”, avalia a médica.

Para a psiquiatra Ana Ermínia Pedrosa, a obsessão masculina com a estética corporal, com a balança e a conquista de um corpo perfeito, magro ou cheio de músculos, é um componente importante no desenvolvimento dos transtornos alimentares nos homens. Contudo, não é o único fator. Tanto nos homens quanto nas mulheres, questões biológicas, genéticas, ambientais, socioculturais e psicológicas estão associadas, tornando as doenças bastante complexas.

No aspecto biológico, a puberdade e a obesidade podem influenciar. Já nos quesitos socioculturais e psicológicos, a pressão da mídia, dos pais e amigos, e de algumas profissões, assim como perfeccionismo ou o uso de álcool e drogas, favorece o desenvolvimento do distúrbio alimentar.

A manorexia, a versão masculina da anorexia, segundo Rosário, pode se apresentar na forma de restrição alimentar pura, uma preocupação exagerada com a composição calórica e com a preparação dos alimentos ou na forma purgativa. “Nas duas formas, aparecem também o medo de ganhar peso e uma perturbação na imagem corporal”, diz. A especialista lembra que existem poucos estudos no mundo que avaliam a relação entre os homens e este distúrbio, mas estima-se atualmente que o público masculino represente de 15% a 20% do total de casos de anorexia nervosa e bulimia nervosa, ou seja, em cada cinco pessoas com essas patologias, uma é homem.

A compulsão alimentar seguida de compensação por vômitos, características da bulimia em mulheres, ocorre também nos homens. O abuso de substâncias medicamentosas para emagrecer e a prática de atividade física exagerada são outros sintomas desse transtorno no sexo masculino. Diferentemente das mulheres, as complicações nos homens estão mais relacionadas à desidratação, hipotensão arterial, maior perda óssea e uma significativa queda na produção de testosterona.

Obsessão

Nos casos de transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), os homens apresentam um comportamento impulsivo por comida, que não é seguido por alguma forma de compensação, como no caso da bulimia nervosa. A médica observa que os homens deste grupo manifestam um grau de obesidade relevante. “Os casos masculinos de TCAP representam até 40% do total de pacientes com esse transtorno.”

Já a vigorexia configura a obsessão por aumentar a massa muscular. As características mais comuns são preocupação exagerada com o corpo, distorção da imagem corporal e baixa autoestima. “Existe uma ansiedade excessiva pela atividade física, abuso de complementos alimentares, proteínas e aminoácidos, assim como pelo consumo de substâncias ergogênicas, como os anabolizantes, para obter ganho muscular”, comenta a especialista. “E isso, claro, pode ser prejudicial à saúde, uma vez que esse tipo de suplemento provoca múltiplos efeitos colaterais. No caso do abuso de anabolizantes, pode levar até a quadros cardiovasculares e psiquiátricos grave.”
Manorexia

Normalmente associados às mulheres e grupos compostos por modelos e homossexuais, os distúrbios alimentares vêm mudando de padrão e já é possível observar inúmeros homens de diversas profissões, nível escolar e opção sexual em busca do tratamento contra a manorexia. Normalmente, eles buscam atendimento médico por outros sintomas desencadeados pela patologia e não pela doença em si. Assim como ocorre com as mulheres, o homem anoréxico se recusa a comer, cultua a magreza como estilo de vida e não compreende os sérios riscos que a doença pode provocar. A manorexia pode ocasionar anemia, queda de proteína, falta de interesse sexual, cansaço, baixo rendimento escolar e profissional, além de aumentar o risco de doenças cardíacas.
Vigorexia

Também chamada de síndrome de Adônis (em uma referência ao herói grego famoso por sua beleza) ou de anorexia reversa, a vigorexia frequentemente faz com que suas vítimas abandonem o trabalho e os relacionamentos para se dedicarem à incessante busca pelo corpo perfeito. É uma patologia predominantemente masculina e, por se tratar de fenômeno mais recente, essa doença ainda não dispõe de dados estatísticos. O excesso de exercícios começa a levar a alterações hormonais e a grandes descargas de adrenalina e endorfinas que geram dependência química pela atividade. A sobrecarga de exercício gera uma síndrome orgânico-sistêmica que leva ao aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, a arritmias e a distúrbios alimentares, que, por sua vez, desencadeiam anemia e deficiências vitamínicas. Tudo isso sem falar nas chances de lesões do aparelho locomotor.

sábado, 8 de setembro de 2012

RELACIONAMENTO ENTRE PAIS E FILHOS

RELACIONAMENTOS ENTRE PAIS E FILHOS

De pai para filho. Essa expressão geralmente é usada quando se faz um bom negócio ou se obtém alguma vantagem que só mesmo os pais podem conceder.
Mas hoje nós trouxemos uma mensagem de filho para pai que merece toda a nossa atenção, porque, se levada em conta, trará grandes vantagens a pais e educadores.
A mensagem foi publicada no jornal Perfil Policial, a todos os pais do Brasil.
Queridos pais, antes que seja tarde demais…
Não tenham medo de ser firmes comigo. Eu prefiro assim, pois sua firmeza me traz segurança.
Não me tratem com excesso de mimos. Nem tudo o que eu peço me convém.
Não me corrijam na frente de outras pessoas. Prestarei muito mais atenção se vocês falarem comigo baixinho e a sós.
Não permitam que eu forme maus hábitos. Na minha idade, eu dependo de vocês para descobrir o que é certo ou errado.
Não façam promessas apressadas. Lembrem-se de que me sinto mal quando as promessas não são cumpridas.
Não me protejam das conseqüências dos meus atos. Às vezes, preciso aprender através da dor.
Não sejam falsos nem mentirosos. A falsidade me deixa confuso, desnorteado, e acabo perdendo a confiança em vocês.
Não me incomodem com ninharias. Se assim agirem, terei de proteger-me, aparentando surdez.
Nunca dêem a impressão de ser perfeitos ou infalíveis. O choque será grande quando eu descobrir que vocês estão longe disso.
Não digam que meus temores são tolices. Eles são terrivelmente reais para mim. Se vocês usarem de compreensão para comigo, ficarei mais sereno e tranqüilo.
Não deixem sem resposta as minhas perguntas. Do contrário deixarei de fazê-las e buscarei informações em algum outro lugar.
Não julguem humilhante um pedido de desculpas. Um perdão sincero torna-me surpreendentemente mais caloroso para com vocês.
E não se esqueçam, jamais, que para desabrochar e florescer, eu preciso de muita compreensão. E, acima de tudo, de muito amor.
Você, que é pai ou educador, lembre-se sempre de que sem criança não há futuro e nem esperança de dias melhores.
Educar e bem formar os pequeninos são fatores fundamentais para a construção de um Mundo mais humano e mais feliz.
E educar não quer dizer superproteger nem abafar com excesso de zelos, pois a criança é como uma planta nos jardins do mundo. O excesso de água pode afogá-la e a falta excessiva pode secá-la.
Pense nisso, mas pense agora!
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Ressentimento e mágoas


Ressentimento e mágoas

Toda vez que alguém ou algo se choque com o bem-estar de outra pessoa, com o seu prazer, irá imediatamente produzir achispa da raiva. Esta poderá abrandar-se logo ou atear incêndio, dependendo da área que tenha atingido.
A raiva é a reação emocional imediata à sensação de se estar sendo ameaçado, sendo que esta ameaça possa produzir algum tipo de dano ou prejuízo.
Não há quem já não tenha sido vítima da raiva. Todos os dias nos deparamos com diversas pessoas, no trabalho, no trânsito, nas conversações cotidianas...sendo estas as mais diversas, portadoras dos mais variados estados de ânimo. Não raro, alguma palavra mal empregada, algum tom de voz equivocado, e então nos sentimos ofendidos, tendo a raiva como reação imediata.
Sentir raiva é atitude natural e normal no quadro das experiências terrenas. Canalizá-la bem, elucidando-a até a sua diluição, é característica de ser saudável e lúcido, conforme assevera a benfeitora espiritual Joanna de Ângelis. Mas como impedir que esta sensação inquietante se alastre e não ocupe mais espaços na nossa mente e sentimentos?
Segundo a nobre mentora de Divaldo Franco, o primeiro passo a ser dado é a aceitação de se estar sentindo raiva. Não há motivos para nos envergonhar-mos da raiva e do fato de senti-la. Camuflá-la perante atitudes de falsa humildade e santificação são atitudes de quem ilude a si próprio, optando pelo parecer em detrimento do ser.
Em seguida devemos nos indagar: “ Por que fiquei tão bravo ou brava com a atitude daquela pessoa? Por que me deixei atingir tanto? O que esta pessoa fez de tão desagradável a ponto de conseguir me desequilibrar o restante do dia?” Neste momento inicia-se a racionalização da raiva, e então é que percebemos que nós mesmos tivemos uma participação ativa na sua elaboração. Não foi o outro que produziu raiva em mim, pois somos nós que estamos sentindo raiva, logo nós mesmos a produzimos. Está em nós a sua origem e não no exterior.
Como dissemos, a raiva é uma reação emocional que ocorre toda vez que alguém vai de encontro ao nosso bem-estar, de maneira que nos sentimos ameaçados. O que então nos deixou tão ameaçados? Que área do meu ser aquela palavra proferida pelo ofensor atingiu de maneira tão precisa? Por que aquilo que foi dito significou tanto para nós?
A partir desse momento nós começamos a perceber que na verdade a sensação de inferioridade ou de ofensa não foi produzida pelo outro, ela já existia dentro de nós. Seria como se a palavra empregada fosse a chave certa para uma determinada idéia existente dentro de nós mesmos – ela já estava ali – bastava acioná-la.
Decorre daí o enunciado de Joanna de Ângelis, de que “a raiva é o lançamento de uma cortina de fumaça sobre nossos próprios defeitos, a fim de que eles não sejam percebidos pelos outros”, sendo que quanto maior for o complexo de inferioridade da pessoa, mais vulnerável ela será a tudo o que for direcionado a ela do mundo exterior.
Canalizar bem a raiva significa, assim, refletir sobre o porquê de nosso desequilíbrio momentâneo. Da mesma forma, outro recurso deve ser empregado: refletir sobre a origem do ato na outra pessoa. Isso significa perceber que a pessoa estava em desarmonia no momento em que agiu, de forma impensada, produzindo o conflito. Significa tentar perceber que o outro agiu sem nenhuma intenção de produzir o dano que nós agora sentimos.
Isso não significa, de maneira alguma, que devamos ser coniventes com o desrespeito e ironia das pessoas ao nosso redor, as quais agem sem pensar nas conseqüências de seus atos. Mostrar-se ofendido, mostrar-se desgostoso com a situação, demonstrar os sentimentos de contrariedade e até mesmo a raiva inerente à ofensa são reações perfeitamente normais, de quem respeita a si mesmo e se considera credor do respeito e consideração dos seus semelhantes. Da mesma forma, dar uma corrida, realizar exercícios físicos ou algum trabalho que leve à exaustão, são recursos valiosos para se diluir a raiva. Extravasar, contar para os amigos como se sente, também são atitudes saudáveis e terapêuticas. O que não se deve fazer é camufla-la, reprimi-la, pois então estaremos oportunizando o surgimento da mágoa e do ressentimento.
Certamente há situações em que a dor nos atinge sem que possamos nos defender. Ocorrências em que ficamos paralisados, sem saber como agir, tamanha nossa surpresa e decepção. Entretanto, parece que nunca estamos preparados para as decepções. Acreditamos que sempre seremos estimados e considerados por todos, e que as pessoas nunca irão nos trair – e então nos magoamos.
A ingratidão e a calúnia ainda fazem parte do orçamento moral da humanidade, e não há quem não se depare com elas em algum momento. Dependendo da pessoa autora do disparo, do lançamento do dardo, este parece penetrar o mais profundo da alma, produzindo enorme sofrimento. Muitas vezes, aquela pessoa em quem nós mais confiávamos nos trai, nos decepciona, nos fere – e a dor então é perfeitamente natural. Chorar, considerar a ocorrência injusta, demonstrar os sentimentos ao agressor, mostrando-lhe os ferimentos, são atitudes que auxiliam para que a dor diminua e se abrande. Contar aos amigos o ocorrido, demonstrando como se sentiu diante da situação, dizer o quê o magoou, são recursos que colaboram para que a mágoa não se instale na criatura.
Em nenhum momento devemos nos permitir guardar a mágoa, diz o espírito Hammed. Quando a mágoa se instala,  o indivíduo vai perdendo aos poucos a alegria de viver, avançando em direção aos estados depressivos e de melancolia – extinguindo-se o prazer pela vida. A mágoa cultivada aloja-se em determinado órgão e o desvitaliza, alterando o funcionamento normal das células. Quando dissimulada e agasalhada nas profundezas da alma, se volta contra o próprio indivíduo, em um processo de autopunição inconsciente. Neste caso, o indivíduo passa a considerar a si próprio culpado pelo ocorrido, e então se pune, a fim de expiar a sua culpa.
Segundo Sigmund Freud, o grande psicanalista do século vinte, todos nós temos uma certa predisposição orgânica para cedermos à somatização de algum conflito. Esta se dá geralmente em algum órgão específico. Desta forma, muitos de nossos adoecimentos repentinos são fruto do que ele chamou de complacência somática. Nós guardamos a mágoa ou “fazemos de conta” que ela não existe. Como os sentimentos não morrem, eles são drenados no próprio ser, ferindo aquele que lhe deu abrigo.
Mais uma vez, assevera Joanna de Ângelis, devemos recorrer à racionalização do ocorrido. Refletirmos sobre o desequilíbrio da outra pessoa, sobre sua insensatez e situação infeliz, o que faz com que a mágoa vá perdendo terreno para a compreensão e impedindo que o acontecimento venha a repetir-se continuamente na mente da criatura através doressentimento.
O ressentimento é o produto direto da repressão da raiva. Não expressamos nossos sentimentos ao ofensor, não lhe demonstramos nosso desapontamento e desgosto e então passamos a guardá-la, a fim de desferi-la no momento oportuno.
O ressentimento é fruto de nosso atraso moral. Nós guardamos a dor da ofensa a fim de esperar o momento oportuno da vingança, do revide, a fim de sobrepormos nosso ego ferido em relação ao ego do ofensor. Quando isto acontece, um sentimento de animosidade cresce dentro de nós a cada dia, até que a convivência com a outra pessoa se torne insuportável. Um olhar não suporta mais o outro e a relação cessa por completo. Muitas amizades terminam assim, por falta de diálogo, de sinceridade e humildade em reconhecer-mos para o outro que ficamos chateados com sua atitude. Casais acumulam memórias de brigas, guardando lembranças de atritos que já ocorreram há meses, sem trocarem sequer uma palavra sobre o assunto, criando um clima silencioso o qual vai tornando o ressentido amargo e infeliz. Assim, há pessoas que possuem sobre o olhar uma “máscara espessa”....que encobre qualquer sorriso...Chegam a nos causar quase medo! É a amargura...que vai retirando toda a alegria de viver da pessoa.
Nós devemos reagir imediatamente ao ressentimento, impedindo o seu desdobramento. Sem dúvida que existem pessoas que se comprazem na calúnia, em proferir ofensas e mentiras sobre toda e qualquer pessoa. Não devemos sintonizar com este tipo de faixa vibratória e aceitar-lhes os dardos infamantes.
Quando optamos por não guardar ressentimentos estamos fazendo um bem a nós mesmos, impedindo a desarmonia e inquietação decorrentes da sua instalação nos painés das emotividade. O outro, porque em desequilíbrio, receberá os frutos de suas ações, decorrente da faixa em que se encontra.
A causa destes algozes da alma humana, tais como a raiva, a mágoa e o ressentimento, quase sempre é a mesma: a falta de auto-estima da criatura, ou seja, a falta de amor por si mesmo. Quando valorizamos em demasia o olhar de amigos, colegas e familiares, estamos nos apoiando em terreno movediço. Nos tornamos apegados e dependentes.
Por outro lado, quanto mais nos descobrimos, quanto mais passamos a desenvolver nossas potencialidades, reconhecendo nossos valores e nossa beleza única, mais seguros nos tornamos, de maneira que a raiva e a mágoa não encontram alicerces para sua instalação.
Aquele que se ama e valoriza não se magoa facilmente e tampouco fica irado com qualquer palavra descabida de um colega de trabalho ou amigo. Dessa forma, trabalhar pelo desenvolvimento de nossa auto-estima é o melhor antídoto para evitarmos o acúmulo do lixo mental dos ressentimentos e mágoas.
Na origem de nossos males – por mais que insistamos em culpar os outros - , sempre está a própria criatura, herdeira de si mesma.